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Oportunidades para o comércio internacional em 2026

  • Foto do escritor: Expori Jr. FGV
    Expori Jr. FGV
  • 3 de fev.
  • 7 min de leitura

Por: João Eduardo Simão e Lara Celani


O comércio exterior em 2026 se desenvolve em um ambiente mais dinâmico, estratégico e desafiador devido a transformações geopolíticas, ao avanço do protecionismo, novas tarifas e regras mais rigorosas, o que leva a reconfiguração das cadeias globais de suprimentos em busca de maior segurança e previsibilidade. Nesse contexto, empresas brasileiras precisam ir além da operação e investir em planejamento, diversificação de mercados e gestão de riscos, avaliando oportunidades a partir de critérios como tamanho e crescimento do mercado, barreiras à entrada, viabilidade financeira e compliance e reputação. Com base nesses pilares, este relatório mapeia as oportunidades de exportação por continente, destacando portas de entrada estratégicas, mercados prioritários e produtos com maior potencial competitivo, em um cenário no qual a diversificação geográfica e a integração a cadeias globais de valor tornam-se elementos centrais para garantir competitividade e continuidade no comércio internacional.


Europa:

A União Europeia (UE) representa um dos maiores mercados consumidores do mundo, com cerca de 780 milhões de pessoas e um PIB conjunto superior a US$ 18 trilhões o que corresponde a cerca de 14,1% do PIB global em 2025 ao passo que responde por 13,6% das importações mundiais de produtos agrícolas e industriais.

Em 2025, a corrente comercial de bens entre Brasil e UE atingiu cerca de US$ 100 bilhões, o que corresponde a aproximadamente 16% do comércio exterior brasileiro em bens, de modo a representar o segundo maior mercado de exportações brasileiras. Essa base comercial robusta torna a Europa um destino natural para empresas brasileiras que buscam expansão internacional, especialmente nas áreas de agronegócio, produtos industriais, serviços e insumos intermediários.

O Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026 e hoje em revisão, é um dos acordos comerciais mais significativos já negociados pelo Brasil e pelo Mercosul, conectando dois blocos com cerca de 780 milhões de consumidores e um PIB combinado de mais de US$ 21 trilhões. Esse acordo histórico visa criar uma zona de livre comércio de grande escala por meio da redução gradual de tarifas e harmonização de normas com o objetivo de abrir espaço para fluxos comerciais ampliados e investimentos bilaterais. Segundo análises da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 82,7% das exportações brasileiras para a UE entrarão no mercado europeu sem tarifas de importação, de modo a ampliar o acesso brasileiro ao mercado global de cerca de 8% para 36%.

As principais portas de entrada para o mercado europeu são: Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e  Bélgica uma vez que esses países correspondem a 73% das exportações brasileiras para a UE. Os principais produtos exportados são óleos brutos, café não torrado, farelo de soja, minério de cobre e soja que juntos representam 53% de todas as exportações para o continente. Esses produtos tendem a ganhar ainda mais competitividade no mercado europeu visto que os óleos brutos, o minério de cobre e a soja contarão com a remoção imediata de tarifas ao passo que  o café não torrado e o farelo de soja terão isenção completa de tarifas para parte dos produtos e redução gradual para o restante.

O acordo irá ampliar o grau de integração do Brasil às cadeias globais de valor uma vez que consolida o país como um parceiro estratégico de um dos maiores blocos econômicos do mundo. A parceria aumenta significativamente o acesso do Brasil ao mercado europeu de modo a reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais e mitigar riscos externos além de tornar a UE um destino ainda mais relevante para produtos brasileiros de maior valor agregado visto que anteriormente estes produtos contavam com tarifas mais elevadas e complexas que os tornavam menos competitivos no mercado em comparação aos concorrentes asiáticos e americanos de modo a possibilitar a ascensão do Brasil na cadeia de valor.


América do norte:

A América do Norte constitui um dos mercados mais relevantes para as exportações brasileiras em função do grande tamanho de mercado e do elevado poder de compra dos consumidores. Trata-se de uma região com elevada capacidade de absorção tanto de commodities quanto de produtos industrializados e agroindustriais de maior valor agregado. Um dos principais atrativos da região reside na existência de bons canais de venda e distribuição, seja por meio de distribuidores locais consolidados, seja por parcerias comerciais ou presença direta de modo a reduzir barreiras comerciais indiretas e permitir ganhos de escala mais rápidos. 

Os Estados Unidos configuram-se como a principal porta de entrada para o subcontinente uma vez que conta com grande mercado interno, diversidade de canais de distribuição além de se tratar de um país central nas cadeias globais de valor. O Canadá surge como mercado complementar visto que possui demanda relevante por alimentos, produtos florestais e bens industriais, ao passo que o México desempenha papel estratégico como hub industrial e logístico, especialmente para cadeias automotivas e manufatureiras integradas à América do Norte. Os principais produtos exportados pelo Brasil para a América do Norte são óleos brutos de petróleo, aeronaves e partes, produtos siderúrgicos, café e produtos agroindustriais, celulose e produtos florestais.


América do Sul:

A América do Sul configura-se como um mercado estratégico para as exportações brasileiras em função da proximidade geográfica, da logística mais simples e da maior facilidade de articulação comercial, uma vez que as negociações costumam ocorrer de forma mais rápida quando comparadas a mercados extrarregionais. Paralelamente o Brasil contra com a redução de tarifas para países membros do Mercosul de modo a facilitar o comércio intracontinental. Esses fatores contribuem para a redução de custos logísticos e operacionais, tornando o subcontinente especialmente atrativo para empresas brasileiras, sobretudo aquelas em estágio inicial de internacionalização.

No âmbito regional, a Argentina destaca-se como a principal porta de entrada para a América do Sul, em razão da forte integração produtiva e comercial com o Brasil, especialmente nos setores industrial e automotivo ao passo que Chile, Colômbia e Peru também se apresentam como mercados relevantes uma vez que atuam como polos de redistribuição regional e oferecem acesso a diferentes cadeias produtivas. A condição de países-membros do Mercosul assegura a redução ou eliminação de tarifas intrabloco, o que amplia a competitividade dos produtos brasileiros frente a fornecedores externos. Os principais produtos exportados pelo Brasil para a América do Sul incluem veículos automotores e autopeças, máquinas e equipamentos, produtos químicos e plásticos, óleos combustíveis e derivados, além de alimentos.


Ásia:

A Ásia é o continente mais relevante para o Brasil quando o objetivo é vender em escala, com destaque absoluto para a China. Em 2025, as exportações brasileiras para a China cresceram e chegaram a cerca de US$ 100 bilhões, impulsionadas principalmente por soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa, o que reforça a Ásia como destino central para cadeias de commodities e produtos de base. Na prática, a oportunidade mais sólida para empresas brasileiras na região é capturar demanda com volume, previsibilidade e regularidade de entrega, uma vez que o comprador asiático tende a valorizar fornecedores que entregam com constância e com padrão estável ao longo do tempo; isso vale tanto para agro quanto para insumos industriais.

Além da China, faz sentido tratar o resto da Ásia como uma estratégia de diversificação, para reduzir a dependência de um único destino e explorar mercados que crescem em consumo e importação. A Índia aparece entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2025, o que ajuda a sustentar a tese de que há espaço para ampliar vendas em mercados asiáticos além da China, principalmente quando o exportador encontra um canal de compra recorrente. Um bloco relevante para esse movimento é a ASEAN (Sudeste Asiático): o comércio Brasil–ASEAN tem crescido e ainda é concentrado em produtos básicos, com números recentes apontando exportações brasileiras relevantes ao bloco e uma pauta puxada por commodities agrícolas. Em termos de oportunidade, a Ásia é onde o Brasil tem mais clareza de demanda e escala hoje, e onde a execução (volume, logística e relacionamento comercial) costuma pesar mais do que marketing.


África:

A África é um destino menor do que Ásia, Américas e União Europeia em valor total, mas alguns países têm demanda consistente, principalmente em alimentos e itens de abastecimento. O Egito é o destaque mais claro uma vez que combina tamanho e demanda estrutural por importação; em 2023, as exportações brasileiras para o Egito chegaram a US$ 2,3 bilhões, com forte peso de commodities como açúcares e melaços, milho, minério de ferro e carnes bovina e de aves, o que mostra espaço para contratos recorrentes quando o fornecedor é consistente. Do ponto de vista de oportunidades, a ApexBrasil também aponta um conjunto amplo de produtos com potencial de exportação para o Egito, sugerindo que existe espaço para diversificar gradualmente a pauta além do básico, principalmente quando há parceiros locais e negociações bem estruturadas.


Oceania: 

A Oceania é um destino pequeno em volume, então o foco para exportações se torna o nicho e a diversificação. A Austrália é a principal referência porque concentra a maior parte do comércio Brasil–Oceania; em 2024, o Brasil exportou US$ 612,7 milhões para o país e, de janeiro a setembro de 2025, já havia exportado US$ 530,9 milhões, mostrando aceleração recente. Para o exportador brasileiro, a oportunidade tende a aparecer quando existe um produto com boa aceitação e um importador especializado, porque, em mercados menores e mais exigentes, a consistência e a proposta de valor costumam ser mais importantes do que tentar competir por volume.


Como entender essas oportunidades para a sua empresa?

O mapeamento das oportunidades de exportação por continente evidencia que, embora existam mercados consolidados e produtos com maior facilidade de inserção internacional, o sucesso no comércio exterior depende de uma leitura estratégica mais aprofundada do contexto global, das especificidades regionais e das condições de entrada em cada mercado. Para empresas brasileiras de menor porte, os desafios relacionados a barreiras regulatórias, estrutura logística, custos operacionais e exigências de compliance tornam ainda mais relevante a identificação precisa das oportunidades. Nesse sentido, contar com uma consultoria especializada como a Expori Jr. torna-se necessário porque esse contato permite transformar informações de mercado em estratégias práticas de internacionalização com o objetivo de apoiar empresas na escolha dos destinos mais adequados, na priorização de produtos com maior competitividade e na construção de uma inserção internacional segura e eficiente.



 
 
 

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