mBridge: conheça a nova plataforma Chinesa que pode mudar completamente o sistema financeiro global.
- Expori Jr. FGV

- 30 de jul.
- 3 min de leitura

Por: João Laudares e Gabriela Prolungatti
O domínio global do dólar atua como um pedágio obrigatório e uma vulnerabilidade constante para potências médias, pequenas economias e nações não alinhadas aos Estados Unidos, pois centraliza o comércio sob o ecossistema financeiro americano e o sistema SWIFT. Essa forte dependência expõe os países aos riscos geopolíticos de sanções unilaterais que podem desconectar Estados inteiros do mercado internacional da noite para o dia e, à instabilidade econômica gerada pelas flutuações da política monetária do Federal Reserve, que encarece o crédito e esmaga as margens de lucro de empresas locais por meio da inflação importada.
Diante desse cenário, a busca por uma verdadeira independência comercial tornou-se urgente, impulsionando a construção de caminhos alternativos que redefinam as estradas por onde o dinheiro trafega globalmente e reduzam a dependência do ecossistema ocidental. Para que essa transição seja bem-sucedida, é indispensável o uso de novas tecnologias, como Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs) e redes descentralizadas, capazes de eliminar intermediários tradicionais e blindar o comércio externo de pequenas e médias potências contra pressões políticas e flutuações cambiais externas. É justamente nesse contexto de busca por autonomia financeira e eficiência operacional que novas lideranças globais passam a redesenhar a arquitetura financeira internacional.
A China vem cada vez mais instaurando um plano de estruturação do comércio internacional de maneira alternativa ao dólar e os sistemas atrelados ao Estado americano. O exemplo mais recente é a plataforma mBridge que busca substituir o SWIFT ao possibilitar transações entre bancos centrais sem passar pelo dólar estadunidense no processo. Além de excluir a necessidade dessa intermediação, a plataforma recente promete valores equivalentes à metade do que o SWIFT cobra atualmente. O mBridge e o SWIFT são canais que influenciam diretamente o comércio e de sobrepõem, contudo, não assumem exatamente o mesmo papel.
O SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication ou Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) é a principal rede global de mensagens seguras que conecta instituições financeiras. Ele não transfere dinheiro diretamente, mas sim transmite as instruções e avisos de pagamento entre bancos para viabilizar transferências internacionais. Atualmente, mais de 200 países utilizam desse sistema, posicionando-o como líder para transações econômicas internacionais.
O mBridge é uma plataforma digital que conecta diretamente diferentes Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs). Criada para pagamentos internacionais, ela permite transferências entre países em segundos e com custos reduzidos, operando em uma rede própria sem depender do tradicional sistema de bancos correspondentes. Ele utiliza de uma tecnologia de contabilidade distribuída (DLT/blockchain) para liquidar transações diretamente entre instituições bancárias de diferentes países, assim, removendo a dependência em moedas estrangeiras como o dólar.
Para os empresários brasileiros essa nova plataforma pode representar uma oportunidade de comércio mais eficiente e com menor custo. Isso ocorre de maneira direta e indireta. A nova plataforma impacta diretamente ao representar um caminho alternativo mais econômico para comércio internacional, algo que torna exportar mais fácil, eficiente e competitivo no mercado global. Ao reduzir as taxas transacionais pela metade e eliminar intermediários, as margens de lucro de pequenas e médias empresas são preservadas, desburocratizando o fluxo de caixa do comércio exterior.
Indiretamente, o mBridge atua como um mecanismo de mitigação de riscos cambiais e geopolíticos. Atualmente, a forte dependência do dólar expõe os exportadores e importadores brasileiros às flutuações da política monetária do Federal Reserve e a potenciais sanções internacionais. A consolidação de uma plataforma baseada em CBDCs diversifica as opções de liquidação e fortalece as relações bilaterais, especialmente com os BRICS, permitindo que o comércio seja pautado pelas moedas locais ou digitais. Assim, embora o mBridge e o SWIFT coexistam em lógicas operacionais distinta, uma rede de mensageria tradicional versus um sistema de liquidação direta em blockchain, a ascensão dessa alternativa asiática descentraliza o poder financeiro global e redefine as estratégias de inserção internacional do empresariado brasileiro.
O destaque dado ao BRICS é de extrema relevância no contexto atual, haja vista o tamanho dos mercados, dois dos cinco maiores fazem parte desse grupo, e a aproximação econômica constante entre os membros. Um exemplo disso, é a primeira emissão de títulos do governo brasileiro em yuhan, expondo a aproximação ao país oriental simultaneamente a um distanciamento dos EUA.
Assim, o novo sistema apoiado pelo governo chinês pode representar uma nova oportunidade de crescimento para empresários brasileiros e expandir a presença deles em diversos mercados externos.



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